Sensores monitoram atividades maliciosas na rede
Consórcio Brasileiro de Honeypots detecta ataques no país
Brasil é um dos integrantes da Honeynet Research Alliance
Dezembro de 2004
Fonte: Computação
Brasil
Reportagem em formato PDF (34 KB)
Sensores monitoram atividades maliciosas na rede
Para identificar varreduras, ataques e ferramentas utilizadas em
invasões de máquinas, existem dois recursos computacionais: as
honeynets e as redes distribuídas de honeypots. As honeynets são redes
de pesquisa que abrigam apenas atividades maliciosas. Essas redes usam
honeypots de alta interatividade, isso significa que os atacantes
podem assumir o controle da máquina invadida. As redes distribuídas de
honeypots têm baixa interatividade porque usam apenas emulações das
aplicações e dos sistemas operacionais reais. Quando um honeypot de
baixa interatividade é atacado, não está sendo invadida uma máquina de
verdade, mas um computador de faz de conta . Os honeypots de baixa
interatividade são inseridos em redes de produção com alto valor
agregado como universidades e centros de pesquisa.
A maioria dos hackers não percebe que as honeynets são redes de teste
e invadem as máquinas comprometidas para atacar outros
computadores. Uma das características desse tipo de rede é a
facilidade que o invasor tem para entrar e a dificuldade que encontra
ao tentar sair. A vantagem das honeynets em relação às redes
distribuídas de honeypots é que todas as atividades maliciosas podem
ser monitoradas. É possível se observar, entre outras coisas, as
ferramentas utilizadas pelos atacantes, verificar se os invasores
estão conversando via chats e descobrir a motivação dos ataques.
Nas redes distribuídas de honeypots não é possível capturar todas as
informações dos ataques porque não há muita interatividade, mas como
os honeypots estão numa rede de produção, é fácil identificar que
ataques estão sendo dirigidos a redes de alto valor.
Consórcio Brasileiro de Honeypots detecta ataques no país
Desde março de 2002, o Brasil conta com uma honeynet que detecta
atividades de atacantes em redes conectadas à Internet. O projeto
Honeynet.BR é uma iniciativa do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) e do Grupo de Resposta a Incidentes para a Internet
brasileira, NIC BR Security Office (NBSO). O projeto evoluiu e se
transformou no Consórcio Brasileiro de Honeypots, coordenado pelo NBSO
e pelo Centro de Pesquisa Renato Archer (CenPRA), instituição do
Ministério da Ciência e Tecnologia na área de Tecnologia da
Informação.
O consórcio tem o objetivo de aumentar o nível de segurança do espaço
virtual brasileiro por meio da detecção de atividades maliciosas,
correlação de eventos e determinação de tendências de invasões. A
idéia é fazer um mapeamento dos ataques contra a Internet
brasileira.
Por enquanto o consórcio tem estatísticas sobre os serviços mais
atacados, a procedência dos ataques e os endereços das máquinas que
são utilizadas para um maior número de invasões. Também já é possível
identificar os países de onde partem os ataques, isso não quer dizer
que o atacante seja o dono de determinada máquina, mas que,
provavelmente, controla aquele computador. Em 100% dos casos o hacker
utiliza o IP de outra máquina.
Os dados coletados até agora estão sendo distribuídos entre as
instituições que fazem parte do consórcio. Segundo o pesquisador
Antônio Montes do CenPRA, a intenção é divulgar as estatísticas para o
público em geral já em 2005. Os sensores que estão na rede brasileira
dão uma idéia do tipo de ataques que estão sendo realizados. A
pesquisa é feita por amostragem, já que é impossível processar todas
as informações devido à quantidade enorme de dados. Como a rede é
bastante distribuída, a amostra é representativa. Montes lembra que
estatísticas divulgadas por sites ou jornais muitas vezes são
extrapolações porque são generalizações de um pequeno domínio. Para o
pesquisador, amostragem é como previsão do tempo, não se pode fazer
uma afirmação categórica.
Outra missão do consórcio é determinar tendências, ou seja, observar
as vulnerabilidades dos sistemas e os serviços que são mais atacados
para investir em ferramentas de segurança. Os malwares e worms
coletados são enviados para um site mantido por todas as empresas de
antivírus. Ao ser identificado um malware desconhecido, as empresas
desenvolvem uma vacina.
Brasil é um dos integrantes da Honeynet Research Alliance
O Honeynet Project, criado em 1999 pelo americano Lance Spitzner, foi
pioneiro no estudo do comportamento dos invasores de uma rede para o
desenvolvimento de ferramentas e sistemas de defesa. O projeto se
transformou na Honeynet Research Alliance, organização internacional
que reúne diversos consórcios de várias partes do mundo.
Segundo Antônio Montes do CenPRA, no Brasil há esforços isolados do
mesmo nível dos provenientes do exterior. A diferença é que em outros
países o trabalho é mais difundido. Para o pesquisador, um dos grandes
entraves brasileiros é a falta de pessoal capacitado. Nos Estados
Unidos, por exemplo, 50 universidades participam do programa de
excelência na formação de especialistas em segurança de Sistemas de
Informação. Aqui ainda se tem a idéia de que segurança pode ser feita
por um hackerzinho , declara Montes.
No Brasil, um hacker que baixou da Internet alguns programas e invadiu
um site já é considerado um especialista e vai trabalhar como
consultor de segurança em uma empresa. O resultado é que são
contratadas pessoas com pouco conhecimento de redes e de sistemas
operacionais, que não têm condições de ter uma atuação eficaz.
O projeto Honeynet tem ajudado a formar massa crítica na área. As
pessoas envolvidas acompanham ataques reais e tomam conhecimento das
vulnerabilidades existentes. É claro que a iniciativa não dispensa a
necessidade de boas universidades. A falta de pessoas especializadas
é muito grande e em decorrência disso a situação da segurança no
Brasil é muito ruim , explica Montes.
O governo federal, por meio do Gabinete de Segurança Institucional,
está iniciando um processo de conscientização de funcionários na
Administração Pública Federal com relação a problemas associados à
segurança de Sistemas de Informação.
Para saber mais, visite: http://
www.honeypots-alliance.org.br/.
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